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28 de novembro de 2007

Vendem-se lágrimas

Era num domingo, dia de finados. O restaurante estava meio cheio (para os otimistas) ou meio vazio (para os pessimistas). Cidade pequena tem sempre aquele restaurante caro que você só entra se for numa data bem especial ou se for convidado. No meu caso foi a segunda opção. Ambiente familiar, mesas preenchidas com maridos, esposas, filhos.

Eis que adentra no recinto (que início de frase mais brega) uma senhora que fez engasgar quem engolia um pedaço de lagarto ou bebia uma Coca-cola com gelo e limão: eu.

Imponente, ar severo, cabelos recém-saídos do melhor salão da Praça, senta-se numa mesa diagonal à minha. Meus olhos não conseguiam disfarçar. Era inevitável não olhar aquela caricatura diante de mim.

Tudo combinando: blush vermelho que ia das maçãs do rosto até quase a testa, que combinava com o cachecol vermelho, batom e unhas de mesma cor. Vestia um casaco bege até os joelhos, que deixava sua meia-calça arrastão cor rubra, bem à mostra. Sapatos, claro, vermelhos de verniz.

Todos os olhares eram para ela. Maquiagem carregada como quem acabara de chegar a um casamento (de Drag Queens), ela pediu uma sopa de entrada e apreciou o prato como quem não tem pressa para voltar, pois talvez não tivesse ninguém a esperá-la.

Sentou-se numa mesa para quatro preenchendo somente o seu lugar. Sozinha.
Sozinha não, solitária. Em seu dedo não havia aliança, apenas um anel recheado de brilhantes. Pareceu-me ser viúva.

Nenhum sorriso saía de sua expressão carrancuda. Uma verdadeira personagem de desenho animado. Ou desanimado. Parecia que daqueles olhos nunca havia caído uma gota de lágrima.

Lentamente levava o garfo à boca, sem preocupação com o tempo. Mas algo me intrigava por debaixo dos quilos de maquiagem.

Seria um travesti? Uma viúva falida? Uma imaginação da minha mente? Não. Mas eu tinha que descobrir.

Fiquei à espreita, esperando sua saída. Aquela senhora entrara num carrão importado que nem sei o nome. Eu, mais que rapidamente, passei a segui-la.

Assustei-me quando ela parou o carro em frente a um velório. Mas resolvi parar próximo e espiar. A curiosidade era muita. Aquela senhora entrou no velório sem olhar para ninguém, olhou o defunto e pôs-se a chorar, a chorar, a chorar.

Minha nossa! E eu pensando horrores daquela senhora e ela acabara de perder um ente querido. Senti-me mal por alguns minutos.

Liguei o motor do carro para ir embora e vi a senhora sair do velório com aquele semblante frio, entrar no carro e parar logo adiante, onde havia outro velório. Dessa vez, fui obrigada a descer. Velório é público, então me misturei e pude assistir de perto a mesma cena: ela entrou sem olhar para ninguém, aproximou-se do caixão e, após 5 minutos de muito choro, saiu com aquela cara de quem almoça sozinha num restaurante.

Ah, aquela senhora rica e solitária. O que ela faz hoje, com certeza alguém terá que fazer por ela amanhã. Mas é bom que ela deixe os cheques preenchidos.

Mireille Almeida admirada que o dinheiro compra até lágrimas.

24 de setembro de 2007

Pretexto vencido...


Os preparativos para a festa junina do colégio estavam chegando. As aulas matutinas foram interrompidas para as turmas das 4ª séries se dirigirem até o ginásio para a emocionante e tensa escolha dos pares. Era a tão esperada Dança da Quadrilha que estava a se formar.
Fila de meninas para um lado, fila de meninos para o outro.
Olhei, e ao meu lado estava um menino de óculos, um pouco gordinho, sem graça. Uma desgraça para a minha primeira dança.


Minha melhor amiga na época também não estava contente com seu par e se encantou por aqueles dois pedacinhos de vidro de olhar furtivo.
Sem pestanejar e de olho na professora, trocamos de lugar.
O meu novo par, quase que num espasmo muscular, (se rimar mais uma vez, vira poema) me concedeu um sorriso de canto de boca, olhando rapidamente para o chão, com um olhar envergonhado de um garoto de 10 anos.

Foi a troca mais bem feita da minha 4ª série. De resto, eu só trocava papéis de carta com cheirinho de flores e frutas.

E foi o cheiro que mais uma vez me fez trocar. Na primeira dança, mãos suadas, nos abraçamos para dar os primeiros passos juntos. Meu coração saltava tanto que tinha medo dele perceber.

Foi então que senti aquele cheirinho gostoso que vinha da sua jaqueta de nylon azul.
Semanas de ensaios, algumas trocas de palavras, naquela época não tinha nem celular, nem msn e nem coragem para pedir o telefone. Só o cheirinho de talco Johnson do seu pescoço.

Chegou o sábado. Ansiosa, mal dormi naquela madrugada esperando o tal sábado da apresentação chegar. Dia ensolarado, vestido amarelo rodado e um blush com aquelas pintinhas pretas que diziam ser ‘charme’ (charme pra mim é o Vin Diesel).

Percorrendo os olhos por todo o pátio do Colégio, nos procurávamos como duas crianças perdidas num parquinho. Enfim, nossos olhares se encontraram (este post está muito romântico).

- “Eu estava te procurando”, disse ele, ansioso.
- “Eu também”, respondi com um ar feliz.

Nisso, corri com ele até minha mãe, que tirou um filme de 36 poses (é, eu sou do tempo do filme de poses), todas de nós dois. Fotos de mãos dadas, abraçadinhos e dançando a quadrilha.

Aquelas poses. Uma lembrança para guardar para sempre e, principalmente, um ótimo PRETEXTO para falar com ele na segunda-feira, terça-feira e outras feiras que estavam por vir. Ou estariam.

Tudo combinado para o nosso próximo encontro. Revelaria o filme e ficaríamos o recreio todo rindo e relembrando aquele sábado.

Enquanto isso, passei o domingo todo com aquele cheiro de talco Johnson no ar.

Chegou a segunda-feira. Ah, que dia mais esperado. Se caísse uma tempestade eu ainda estaria feliz. Era o dia de revelar as 36 poses de nós dois.

Como minha mãe já havia levado o filme para revelar (naquela época não existia nem revelação 1 hora), era chegada a hora de ir buscar.

- “Moça, vim buscar um filme. Aqui está o papelzinho”. Ansiosa, nem sentei para esperar.

Muitos minutos depois, a moça volta com uma expressão não muito agradável.

- “Menina, houve algum problema no seu filme”.
- “Como assim?” Já me exaltando.
- “Seu filme não revelou nenhuma foto”, a moça com cara de quem não apostou seu futuro num filme de 36 poses, me fala.
- “Nenhuma foto? Que história é essa? Esse filme é muito importante. Verifique novamente, por favor,”.

Na verdade, quem resolveu esta história com a ‘atendente tranqüila’ foi minha mãe, por que eu estava em estado de puro choque.

A moça voltou e, se compadecendo com minha cara de ‘a esperança é a última que morre’, me disse calmamente:

- “Querida, o filme estava vencido. Não restou nenhuma foto. O que podemos fazer é lhe dar um novo”.

Por uns instantes não tive reação. Um novo filme? O que eu iria fazer com um novo filme, totalmente em branco? Não poderia reescrever aquela história.

Aquele dia não voltaria mais. O pretexto para falar com o moço da jaqueta de nylon azul estava com a data de validade vencida.

A única lembrança que me restou foi o cheiro daquele talco Johnson da sua jaqueta de nylon azul.

Mireille Almeida em campanha para a Johnson nunca parar de fabricar boas lembranças.

17 de setembro de 2007

Ora cigarra, ora formiga

Foi-se o tempo em que eu brincava no quintal da casa da minha avó e pensava: “Quando eu tiver dezoito anos serei rica como a Barbie.” Nem rica, nem loira, nem com 40 cm de cintura, nem casada com o Ken. Ou seria Boby?!

Com os meus insistentes 20 e poucos anos, me defronto cada vez mais com a minha independência. E não pense que esta palavrinha desejada por tantos é sinônimo de cabelos ao vento no banco de um Jeep, praia depois do meio-dia, compras intermináveis no shopping com outras 5 amigas independentes, felizes e sorridentes.

Mal engolia a comida do almoço e ia passear com a minha amiga-irmã-siamesa (porque a gente não se desgrudava) todos os santos dias (não importava qual santo era) batendo ponto no calçadão do Centro da cidade (calma aí, no sentido figurado). A nossa única preocupação era encontrar um furo de reportagem e ligar para a outra amiga-irmã nem tão siamesa assim e passar horas ao telefone divulgando as fofocas. Trabalho sério e divertido.

Nunca imaginei que iria me interessar por encartes de lojas de móveis e eletrodomésticos que entregavam naquele mesmo calçadão por onde gastei tanto salto. Nunca pensei que um saldão de ofertas das Casas Bahia me faria tão bem.

Uma calça de marca ou um jogo de cama percal 180 fios? Ninguém se atreveria a me fazer tal pergunta um ano atrás.

Por que, de uma hora para outra, nos tornamos adultos independentes, responsáveis que não podem derramar o ketchup na blusa e tentar limpar com a manga?
Ta certo, porque agora somos nós que temos que lavar.

Cheguei numa idade em que não sei se invisto na Bolsa de Valores ou numa da Victor Hugo. Chegou o momento certo para descobrir se penso no meu FUTURO (num apartamento amplo, ensolarado com vista para o mar) ou se aproveito o PRESENTE (das lojas do shopping).

Será que eu devo me privar dos jantares caros, das viagens nos feriados, dos passeios de última hora com minhas amigas cigarras para me proporcionar uma falsa estabilidade aos 40? Será que daqui há 20 anos eu vou lamentar: -“Ah, se eu tivesse aproveitado menos a minha juventude, talvez hoje eu estaria num apartamento amplo, ensolarado com vista para o mar...?”

Tenho momentos de formiga que me dizem para dosar. Tenho momentos de cigarra que me levam a farrear. E como é bom.
- Claro que é bom, Mireille. Vida de cigarra dura até o próximo salário chegar. Mas um dia a cigarra adoece e descobre que a receita do médico é o mesmo valor da conta do bar onde você tomou aquelas caipirinhas de frutas vermelhas (que por sinal estavam horrorosas).

Falando em receita, me ensina a fórmula para dosar o canto da cigarra com a força que a formiga faz para subir aquela lomba?

Meu lado formiga prontamente responde: - “Se a cigarra fosse esperta cobraria cachê pelo seu canto e a formiga trabalharia somente em horário comercial”.

Que ansiedade essa nossa idade causa. Não há remédio que cure. E quem disse que a cura é o melhor remédio?

Afinal, a melhor receita para ter um HOJE feliz e um AMANHÃ duradouro, é ser ora cigarra, ora formiga. E continue subindo a lomba porque falta muito para sábado chegar. Mas hoje, uma pausa para o brinde. E viva o happy com minhas amigas cigarras.

Por isso vou subir a ladeira como formiga e comemorar lá em cima como cigarra.

Miréille Almeida

11 de setembro de 2007

Um salto para a impulsividade

Não é raro quando o nosso coração e cabeça têm opiniões, gostos e tempos diferentes. Um está sempre mais certo que o outro. Um quer parar, enquanto o outro acha que consegue sustentar por mais uns instantes. Um diz chega, e o outro tenta ir mais adiante.

Quando entram em sintonia, vem então a hora mais esperada: a decisão.

Não raro o coração OU a mente predominam pela convicção, pela certeza em acreditar que a melhor decisão a ser tomada é aquela que está fresquinha em nossa mente (ou coração) e pronto! E é neste momento que se age pelo tão conhecido sentimento chamado impulso.

E depois? Arrependimento. Agir com ímpeto é trabalho dobrado, é despesa desnecessária, é talvez, irreversível.

É fato que o ser humano gosta de sentir o hormônio produzido pela região medular das supra-renais* correr nas veias (estou com meu momento ‘cientista’ aflorado) e a impulsividade traz um quê de emoção.

Numa metáfora singela (adoro exemplificar), pode-se dizer que segundos antes de você atravessar uma rua movimentada, um lado do seu cérebro diz VAI e o outro diz ESPERE MAIS UM POUCO, enquanto ficamos titubeando até tomar a decisão que pensamos ser a mais correta.

Só saberemos se a decisão tomada foi a melhor se chegarmos do outro lado da rua sãos e salvos. O mesmo ocorre em muitas situações da vida. Dá uma vontade de atrasar o relógio, de fazer PLIN e tudo se resolver, dá vontade de se dividir em dois para agradar a todos. Mas você já não é mais criança e chegou a hora de resolver todos os problemas para deitar tranqüilo e dormir em paz.

Estamos rodeados de pessoas que agem por impulso e atravessam a rua, mas não chegam do outro lado porque se precipitaram.

Atitudes impulsivas podem resultar em fracasso. Perder um amigo, o emprego, um amor, depois de proferir palavras impensadas. Arrependimento destrói por dentro. Estas palavras não voltam atrás e talvez seja tarde para receber o perdão.

Por um momento você pode achar que demorou tanto a decidir, que fez o que achava certo, mas acabou magoando alguém especial. Espere, algum dia este alguém descobrirá que você pensou muito e que pensou pelos dois. Se você sabe que tomou a atitude certa, mesmo que por um instante tenha magoado outrem, abstenha-se. Você realmente tomou a atitude certa.

Demorar a tomar uma decisão não é sinônimo de fraqueza, mas de bom senso, ou mais que isso, é uma atitude honrosa que nos leva a um caminho de escolhas acertadas sem medo de olhar para trás. A minha consciência está tranqüila. E a sua?

Sabe aquela sensação de contas pagas, de barriga cheia, de sede saciada? É a mesma sensação de uma decisão bem tomada. Siga em frente.

Mireille Almeida em campanha para chegar do outro lado da rua sem culpa.

* Bendita Adrenalina.

16 de agosto de 2007

Eu e Alice no País das Maravilhas


Meus vinte e poucos (para mim, tantos) anos. Lembro-me de quando era criança. Do quanto queria crescer, poder sair para uma festa e voltar tarde da noite. Lembro-me que na minha primeira memorável saída pra uma Festinha de Dança da Vassoura ou de Garagem (para quem tem mais de 30, diz-se Reunião Dançante), voltei para casa à meia-noite, de calça boca de sino, sapato alto e blusa rendada, toda de preto, me achando uma pré-adolescente modernosa. Nesta época o “lance do ficar” começou a dar seus primeiros sinais.


– “Ficou com ele?” Perguntou uma menina enxerida na festa.
E eu, naturalmente: -“Sim”, não entendendo o nível de profundidade da pergunta.
- “Como era o beijo dele?” A menina curiosa perguntara.
- “Beijo? Pra ficar tem que beijar?” Respondi na minha eterna inocência que carrego até hoje. Eu apenas havia dançado com o aspirante à pré-adolescente o tema de O Guarda-Costas com Whitney Houston ou teria sido o tema de Titanic?

E são tantas as lembranças da minha geração que não brincou de rolimã, mas jogava taco com latinhas de óleo de cozinha. Que não ajudava os pais no trabalho, mas brincava de professora e dava bronca nas suas alunas de pano e plástico.

Ah, me lembro da minha coleção de Chuquinhas. Das bonecas que tinham cheiro de frutas. Do Pogobol. Do microfone com cabelo laranja da Xuxa. Dos ursinhos carinhosos (como eu sonhei em ter aquele carro de nuvem). Da tentativa minha e do meu primo de construir um super carro de madeira.

Tantas lembranças para minha pouca idade. O que vou lembrar aos 40? Que eu brincava de pagar as contas, da inflação, da alta do dólar?! Não vou me permitir falar disso.

Será que algum dia deixaremos de ser criança? Tomara que não.

Tomara que meu tio continue sua coleção de carrinhos, que meu primo continue construindo aviões de brinquedo, que meu avô continue dançando lá no céu.
Tomara que minha amiga continue se lambuzando ao tomar sorvete (essa foi pra você Rô) e brincando de casinha (mas agora de verdade).

Tomara que todos nós continuemos rindo de um grande tombo (do nosso e dos outros). Tomara que cada um de nós tenha uma inesquecível lembrança do que já passou. Nem que seja a perna de uma boneca ou uma cicatriz na testa.

Aproveite que a única cicatriz que nos lembra bons momentos são as da infância.

Nem que seja aquela lembrança mais antiga que temos do nosso passado.
A propósito, qual a lembrança mais caduca que você tem aí na sua mente? Difícil, não é mesmo?!

Num ímpeto de nostalgia, e em conversa com uma prima querida, me peguei, hoje, procurando o filme original que mais me fascinou na infância, Alice no País das Maravilhas.

Se algum dia eu quis ser Alice, não me lembro. E se algum dia eu deixarei de ser criança, ah, prefiro que este dia não chegue.

Miréille Almeida em campanha pela volta (em alguns momentos) da parte mais gostosa da vida: a infância.

14 de agosto de 2007

Em vida

Na minha pré-adolescência, um dos assuntos que mais me intrigava (bilhões deles), era o fato do por que ‘raios’ a homenagem vinha (quase) sempre depois da morte do homenageado. E este, sem poder aproveitar os méritos...

Era ele, lapidado numa placa linda de uma praça, de um ginásio, de uma rua. O nome do homenageado. Por que diabos uma pessoa ganha uma homenagem honrosa, glamourosa, repleta de solenidades, entre discurso de prefeitos e politiquinhos, depois que já pegou o caminho pro andar de cima?

Hoje, já passados anos da tal pré-adolescência, entendo que não se pode sair nomeando ruas, praças e lápides por aí, sem antes ter a certeza de que a índole e o caráter do cidadão em questão estejam, por ora, ilibados. Por isso, também não é de bom gosto nomear nada com nomes de políticos. Precisa explicar?!

É certo que o povo morreria de vergonha se a praça da cidade tivesse o nome de Praça Delúbio Soares, ou se a rua principal fosse Rua José Adalberto Vieira da Silva (Já esqueceu?) ou se algum Colégio fosse Luiz Inácio Lula da Silva (ironia pura da minha parte, desculpem-me).

Se eu pudesse, colocaria na minha rua, na minha cidade, no meu país e em todos os planetas o nome daquela que me ensinou o que significa Honestidade (com H maiúsculo) que me ensinou o que é o amor incondicional e dedicação infinita. Esta sim merece uma Homenagem em vida.

Uma homenagem ao dias dos Pais, das Mães e em todos os dias da minha vida, nos quais você me ensina com seu exemplo a ser o que sou hoje e a construir o meu amanhã. E na placa: Mãe, eu te amo eternamente.

Miréille Almeida em campanha para homenagear EM VIDA a pessoa que mais merece o meu respeito (embora muitas vezes eu não demonstre): a minha mãe.

8 de agosto de 2007

Aplausos para o orgulho!

Têm certos assuntos que tiram nossa inspiração. Certas pessoas tiram nossa inspiração. Uma notícia ruim num sábado ensolarado; um telemarketing te oferecendo cartões às 8h da manhã; os semáforos todos fechados quando estamos com pressa; o seu querido chefe, e reticências.

Ah, são tantas as razões para estragar seu dia, que não consigo enumerá-las aqui.

E pior, há pessoas que tem a obrigação de nos INSPIRAR, motivar, incentivar, criticar construtivamente, por um simples motivo: pagam o nosso salário. Mas não o fazem.

Existem pessoas tão autoconfiantes que não têm idéia do quanto dependem de nós para não dependerem de outras pessoas. Tão auto-suficientes que não percebem que é o nosso trabalho que paga suas contas, seus luxos e satisfaz seus clientes.

O ORGULHO é a mais verdadeira tradução de VERGONHA. Não estou me referindo ao orgulho de conquistar algo, de obter sucesso, mas àquela empáfia de não admitir que, em tantas ocasiões, também se comete erros. E isso já é um grande erro. De não admitir que o outro possa acertar. De não aceitar sua própria ignorância. Pura vergonha.

Não nasci sabendo admitir. Aprendi com muitos tropeços da vida e com inúmeras situações em que perdi o rebolado por pensar que tinha razão.

E muitas vezes aquela voz de dentro (aquela que somente nós ouvimos) ainda me manda descer do cavalinho, baixar a bola e assumir: - “Ok, você está certo, me enganei”.
Parece fácil na teoria, não? Mas conheço um bocado de pessoas que nunca sequer proferiram tais palavras e, por mais errados que estejam, conseguem rodear, dar algumas voltas e induzir que quem está errado é você, sem cerimônias. Pena.

Pena por que estas pessoas nunca irão crescer e saber quando mudar suas atitudes, quando pedir desculpas, quando agradecer. Mas saberão exatamente quando será tarde demais para mudar. Porque, um dia, o relincho será tão forte que bastará um único movimento para cair do cavalo. E mais: a platéia estará assistindo de camarote. Aplausos.

ADMITIR ERROS é uma eficiente forma de evoluir e APRENDER.

Infelizmente, há pessoas que preferem deixar de aprender e dar lugar para outros seres humanos, mais evoluídos, passarem na sua frente. Paciência.

Miréille Almeida comprando ingresso para assistir de camarote e aplaudir.

2 de agosto de 2007

REapaixonar-se

Como é bom sentir frio.
Sim, aquele friozinho que percorre a espinha, que arrepia dos pés à cabeça, que faz a gente sorrir logo de manhã cedo (nem sempre).
O coração dispara, as pupilas dilatam, os lábios incham. Sintomas típicos da paixão. Talvez um dos únicos momentos da vida em que a incerteza e a dúvida são nossas aliadas.
Sensações tão mágicas, tão intensas, que duram pouco. Há pessoas viciadas em paixão. Quando ela acaba, tratam logo de procurar o sentimento numa próxima esquina.

E por que o ser humano não se dá ao gostinho de reapaixonar-se?
Brilhante campanha publicitária criada para os produtos Seda, um tempo atrás (ainda não sei se está veiculando), nos mostra como é bom sentir a paixão novamente pela MESMA pessoa. O roteiro da campanha dizia: “Apaixonar-se é fácil, qualquer um se apaixona. O que realmente é difícil é reapaixonar-se.”

E por que deixamos que ela vá embora, sem dar satisfações, sem dizer se volta?
Pelo simples fato do ser humano ser CURIOSO.
É tanta sede que acaba por derrubar o pote. Adoramos queimar etapas para saber o que vem depois. Como se o depois fosse fugir a qualquer momento. É tanta euforia, tanta ansiedade que realmente acaba por escapar entre as nossas mãos.
E ficamos ali, literalmente chupando o dedo.

A paixão é como um pão (não pensem que gosto de rimas). Você está em frente ao forno, sem poder enxergar a massa. Mas a fome é tanta, que você resolve dar uma espiadinha e abre o forno (de leve) para ver se já está quase pronto. Quando percebe, o pão murcha. Não cresce, desanda.
Arrependido? Agora vai à padaria, compra um pão pronto, iguais a todos os outros que você já conhece.
(Vinda de uma redatora péssima na cozinha, você deve estar admirado com esta metáfora, não?!).

Aqueles segundos que antecedem o primeiro beijo, aquele queimor no corpo (não é azia), uma sensação indescritível que gostaríamos de sentir a cada beijo, de prolongar eternamente.

E por que adoramos incendiar as etapas mais especiais da vida? Não é à toa que a curiosidade mata. Mata um futuro que poderia ser mágico, porque você não resistiu e abriu o forno antes de dourar o bolo. Um grande incêndio pode deixar marcas irreversíveis: a conhecida mágoa.

Aproveite cada degrau, cada cena. Ela não sairá correndo de você. E se sair, foi porque não estava no seu script.

Quando a trilha certa tocar, você irá sentir.

Mireille Almeida em campanha para atear fogo na hora certa (entre quatro paredes).

31 de julho de 2007

Complexo de Édipo (aguçado) dos tempos modernos

Cresci com aquele estigma de que os homens procuram em suas parceiras uma parte de suas próprias mães (nem que seja a parte que lava suas cuecas e passa suas camisas). E por cansar de saber disso, resolvi jogar o rolo de macarrão pra cima (sem a intenção de acertar a cabeça de ninguém) e virar a mesa, o balde, a bandeja e o espanador.

Lembro-me como se fosse hoje quando, ao ler um gibi da Turma da Mônica, me deparei com uma historinha em quadrinhos que trazia – pela mente do genial Maurício de Sousa – uma explicação para as criancinhas (inocentes) da minha geração, o que significava COMPLEXO DE ÉDIPO.

Adepta aos alimentos pré-cozidos, por sorte do destino, sempre tive namorados bons de mesa. Aprendi a lavar louça (tarefa de quem não sabe cozinhar) e a fazer a sobremesa (típico de criança criada com papinhas in vitro). Tornei-me uma redatora compulsiva por comidas. Todas menos pepino e azeitona.

O querido Freud tinha uma explicação plausível para tal. Ele se baseou na conhecida tragédia de Sófocles, denominando de Complexo de Édipo, à preferência exacerbada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão pelo pai. Na mitologia grega, Édipo matou seu pai Laio e casou-se com a própria mãe, Jocasta. Quando descobre o parentesco, Édipo fura seus próprios olhos e Jocasta comete suicídio.
Para as mulheres que apresentam sintomas semelhantes, aplica-se o Complexo de Electra. Bonito nome.

E o Complexo de Édipo dos tempos modernos? Se você é um ser humano normal dos tempos atuais, têm excessivas chances de sofrer de algum tipo de Complexo. Analisemos o quadro de possíveis indícios do mundo moderno, intimamente ligados ao Complexo:

1º - Filho de pais separados (no século XXI é super moderno);
2º - Filho de pais casados que dormem em camas separadas (haja modernidade);
3º - Você nem conhece seu pai (hein?);
4º - Você tem mais de 25 anos e seus pais “estão se separando” (aquela história de gerúndio novamente);
5º - Seus avós são separados (uau! Põe atual nisso).

Se você não tem os indícios acima, conhece alguém que os têm.

Acredito que todos os motivos para se adquirir um Complexo desta natureza tenha origem na infância. Os sintomas são visíveis, mas que só percebemos na idade adulta (para os homens que chegam a esta fase). Carência, compulsão por pular a cerca, aceitar traições e falta de afetuosidade são alguns sintomas de quem sofre o Complexo.

É fato. Desejamos encontrar no parceiro o que a vida nos privou no passado ou o que nos deu em abundância, principalmente nos primeiros anos de vida. Faça uma auto-análise.

A verdade é que vivemos num Complexo. Sempre na expectativa de modificar atitudes e comportamentos das pessoas que amamos para se tornarem semelhantes aos nossos desejos. Na verdade, para serem exatamente do jeito que gostaríamos de ser.

O Complexo está diante do espelho. Está em nós. Fantasiar no outro uma pessoa que ele nunca será só nos mostra a vontade que possuímos de mudar nossas próprias atitudes. E de mudar logo de parceiro, antes de enlouquecer.

Você já tentou mudar as atitudes de alguém? Parabéns, você é normal.

E ao fim, descobre-se que o verdadeiro complexo está dentro de nós mesmos. E talvez nunca saia de lá.

Encarnando uma palestrante motivacional: MUDE JÁ!

Mireille Electra Almeida em campanha pela desistência em mudar o próximo porque nunca dará certo.

25 de julho de 2007

Quando o amanhã chegar você estará aliviado?

Somos seres complicados. Admito. Admita você também. Sonhamos com um corpo esbelto, uma cintura definida, tudo durinho. Mas bate aquele frio e lá vai mais uma desculpa para faltar a academia. Se é que você está matriculado em uma.

Admiramos quem têm inglês e espanhol fluentes e o básico de italiano. Mas não há tempo disponível para trocar a hora da novelinha pela hora do cursinho. Preferimos chegar em casa e deitar no sofá.

Sai mais um ganhador da Mega Sena e você pensa “metade desse prêmio já estaria bom”, mas falta tempo para jogar.

Vivemos nos desculpando (no gerúndio mesmo). Vivemos perdendo o tempo (e sempre no gerúndio). Quantas vezes já ouvimos e já falamos a famosa frase: -“Temos que combinar algo” ou -“Me liga”.
Sem pestanejar, posso afirmar que muitos encontros não se realizaram, muitas ligações não foram completadas.

Às vezes estamos a um passo, a um “alô”, a um abraço da pessoa que amamos. De um grande amigo que há anos não é visto, de um irmão que mora longe. De um pai. De uma mãe.

Falta tempo ou falta coragem? Depende. Há situações em que culpamos o tempo (porque para o dia durar 30 horas, só aquele Banco mesmo). É tão bom quando encontramos um grande amigo no calçadão, num restaurante. - “Que saudade! Há quanto tempo”. Estes encontros nos passam aquela sensação de missão cumprida e o nome deste amigo volta para o final da lista. (daquela listinha mental das pessoas que você PRECISA encontrar). Ufa, consciência leve novamente (por pouco tempo).

No final, os amigos perdoam a falta de tempo. Porque eles também pecam pelo mesmo motivo. Não se preocupe.

E a FALTA DE CORAGEM? Esta é inversamente proporcional ao conhecido TEMPO. Quanto mais tempo passa, mais o ser humano se afasta da ação. Do momento em que ele criará coragem para falar, questionar, pedir o perdão, perdoar, desabafar, abraçar. E o inconsciente pensa “- Um dia eu vou falar”. Mas a consciência não age. Por quê?

O ser humano tende a se refugiar numa zona de conforto. Quanto mais confortável, mais difícil escapar. E o ápice deste estado é quando outrem leva culpa pelos erros cometidos, pelas falhas, pelas faltas. “A culpa é dele. Eu fiz minha parte”.
Não enxergar nossos próprios erros nos afasta cada vez mais das felizes descobertas.

É bem mais fácil chegar em casa e descansar, do que malhar uma hora na academia. É cômodo burlar o regime defronte a um churrasco, difícil é resistir. E depois é tarefa fácil reclamar.

Assim que muitos casais deixam suas conversas para depois e se separam.
Pais e filhos dão adeus antes do perdão. Tarde demais.
Perdemos a última oportunidade para a despedida. Para o abraço.

Amanhã é muito tempo no mundo em que nos encontramos. Amanhã talvez esta pessoa não esteja mais no mesmo mundo que você. Dê um sinal, faça a sua parte. Viva o próximo segundo com um imenso alívio no peito. Para que o amanhã venha sereno.

Não sabemos quando e nem como nossos companheiros cumprirão a missão deles neste mundo e partirão. Uma pequena ação pode nos livrar de um fardo, uma dor, um arrependimento para todo e sempre.

Mas para quem ficou com certeza poderá se comunicar com quem partiu. Nossas preces e bons pensamentos chegam express no andar de cima. Confie.

A cada despedida, a cada reencontro, faça deste um grande momento. Para, que por ventura do destino seja o último momento, que seja então, inesquecível.

Todos nós temos um “eu te amo”, “eu te perdôo” ou “eu alguma coisa” para dizer a alguém. Se na hora H não sair nada, um abraço apertado valerá as mil palavras. Não vai doer. Prometo (não venha me cobrar depois). Dolorido ficará se não fizermos o que tem a ser feito.

Este post foi a forma que encontrei para externar meus sentimentos pela infeliz tragédia do Airbus da TAM vôo 3054 que comoveu o mundo, em que muitas pessoas não tiveram chance de dar aquele último adeus. Talvez amanhã.

Sem me preocupar com quem foi culpado, ou quem se pronunciou somente 3 dias depois com um discurso pronto, mas com profunda tristeza pelos que ficaram, expresso meus sentimentos em palavras.

Nossas mensagens para os que estão lá em cima extinguirão a distância entre o céu e a Terra. Tenhamos fé.

Mireille Almeida em campanha por um suspiro aliviado. Nem que seja o último.

20 de julho de 2007

Sonhando BEM acordada...

Todos nós temos um sonho. Por mais intrínseco que esteja, por mais irrealizável que seja, em algum momento ele já rondou e martelou nossas mentes implorando para ser realizado.

Quantos destes sonhos ficaram só no papel? Por que não conseguimos realizar?

Sempre quis ser atriz. Sempre sonhei em ver meu nome estampado no “letreiro” da novela das 9. Este sonho está dormindo, mas volta e meia ele acorda. E eu começo a atuar. Sou daquelas que chora e corre para se olhar no espelho e ver como ficou (não acredito que contei isso). Faço drama, exagero, decoro o texto.

É, quem não viveu o sonho em sua materialidade, vive dos seus resquícios.

Mas todos nós temos outros grandes sonhos. Lembro-me muito bem do dia em que decidi ser publicitária. Tinha 13 anos, e percebi que propaganda era a alma do negócio. Era a minha alma.

E é nela que eu atuo, represento, faço a cena que eu quiser (e que o cliente permitir) e me apaixono a cada Job.

Certa vez, um cliente disse estar sentindo a “Síndrome do Fantástico”. Percebeu que todo domingo à noite, ao ouvir a vinheta do programa, ele entrava em pânico por saber que na segunda-feira começaria a tortura outra vez. E resolveu pedir demissão para procurar a felicidade novamente.

E a sua felicidade? Por onde anda? Não é sempre possível realizar aquele grande sonho. Não pretendo aqui encarnar uma palestrante motivacional e dizer: largue tudo e corra atrás do seu sonho.

Como bons brasileiros que somos, sempre damos aquele jeitinho. Adaptar o sonho é uma virtude. Se você não pode viver da música, cante no banheiro, no barzinho, na festa. Se você não pode viver da pintura, pinte a parede do seu quarto, pinte o 7.

Eu não vou entrar em cartaz na semana que vem. Não estou interpretando o papel da vilã no horário nobre. Mas eu faço o meu papel. E tento fazer da maneira mais divertida o possível. E é assim que todos nós deveríamos fazer.

Mas em primeiríssimo lugar no ranking: FAZER O QUE REALMENTE LHE DÁ PRAZER (nem que seja o mínimo). Se não, não há rotina que ajude.

Não há nada mais motivador do que ir para o trabalho com um sorrisinho no rosto, nem que seja aquele meio de canto.

E quando você finalmente realiza o tão esperado sonho e, de repente, nota uma sensação estranha, uma mistura de medo com alegria, como se pensasse: mas já? Assim? E agora? Bom, este assunto merece um outro post.

Mireille Almeida em campanha para adaptar sonhos e ser feliz.

19 de julho de 2007

Cozinhando com a redatora...

Olá, pessoal, eis que hoje revelarei O SEGREDO:

Final da semana, irei agraciá-los com minhas magníficas aptidões culinárias. Não serei tão insensível ao ensiná-los a fazer um CARRETEIRO e esquecer nada menos do que a CARNE, como minha grande amiga-irmã Rô fez (ela vai me matar), mas aqui você irá encontrar receitas de como NÃO fazer.
Ps.: amiga, por via das dúvidas, melhor seu NOIVO não ler este post.


Brincadeiras à parte, este é um dom que eu tenho preguiça em possuir. A arte da maestria culinária, definitivamente, não nasceu comigo. É só ler o post “Arroz com cebolinha?” e verás que carrego este fardo desde pequena.
Mas ainda assim, a parte da sobremesa pode deixar comigo, meus docinhos são divinos. Verdade. Por favor, quem já provou, me dê um crédito.

A última vez em que preparei um super grande lanche na cozinha, há algumas semanas, tive que rezar a fim de espantar o mau olhado que estava a me cercar.

Dias antes, havia assistido o DVD intitulado “O Segredo”, febre momentânea, a pedidos insistentes de um queridinho amigo meu. Já assistiram? É bem mais do que uma palestra motivacional. O segredo gira em torno da Lei da Atração. Tudo o que você pensa, seja positivo ou negativo, vem para você. Mas claro, deve-se fazê-lo da forma correta.

Fiz uma super torrada, (anote: pão, margarina por dentro e por fora, presunto e queijo por dentro), coloquei na torradeira de fogão, fui para a sala me entreter com a novelinha, toca o telefone e...fumaça, fogo, labareda, fumaça!!
Com toda calma, apaguei a fumaça, repeti todo o processo de preparo do sanduba, e, antes mesmo de colocar na torradeira, caiu tudo no chão. Como diz a Lei mais certa do universo, a de Murphy, caiu com o lado da margarina para baixo, obviamente.


O SEGREDO: antes da 3ª tentativa, emiti bons fluídos e boas energias para preparar novamente, de novo, outra vez, a torradita.

Me lembrei então da Lei da Atração. Incrível, funcionou. Eu mentalizei um lanche perfeito e pensei: “Anjinhos peraltas eu vou comer uma torrada maravilhosa que irei preparar agora e dará tudo certo” e os maus agouros foram para longe.

Este deslize culinário é apenas para ilustrar como um pensamento positivo pode mudar as circunstâncias ao nosso redor. Por um momento eu pensei em me irritar, em ficar enfurecida com os maus fluidos que me rondavam. Foi só eu ter um PENSAMENTO POSITIVO para tudo de ruim ir pra bem longe.

Devemos abolir a palavra NÃO do nosso dicionário. O negativismo atrai situações negativas.

Dizer: “Eu não quero ficar doente” ou “Eu não quero perder aquela pessoa”, mesmo sem querer, acabamos atraindo para nós mesmos exatamente o contrário do que se deseja.

Sempre que quiser algo, imagine-se já com este algo. Se for um apartamento, um novo amor, um corpo saudável, um carro, um sanduíche...IMAGINE-SE com o seu desejo. E todos os dias, sempre que lembrar, deseje para você.


Desejarei para a próxima aventura culinária, atrair uma mesa de sushi de 20 metros e, se eu agüentar, muito chocolate de sobremesa.

O que você quer muito que aconteça (de bom) brevemente? A partir de agora, todas as suas ações devem ser focadas para este (s) objetivo (s). GO AHEAD.

Mireille Almeida em campanha por desejos concretizados.


**Este post foi patrocinado pelas Indústrias de Alimentos Congelados Ltda.**

13 de julho de 2007

A Hora certa...ela chegou!


Passei do ponto. Literalmente. Ontem, a caminho de casa, como uma legítima redatora canceriana, fiquei divagando em meus pensamentos, tentando acalmar a briga entre o Sr. Id e Sr. Ego, e...o ônibus passou do ponto onde eu tinha que descer. Sem sombrinha, fomos andando na chuva: eu, o Id e o Ego.
Percebi que, há alguns meses, eu passei do ponto.
Do ponto de esperar ansiosa o dia em que meu coração vai bater mais forte por você, esse desconhecido.
Ou será que já te conheço tanto que não enxergo que estás tão próximo?

Passei do ponto de pagar para ver quem irá passear nos meus pensamentos nos minutos de ócio.
Passei do ponto de esperar a noite chegar, deitar no travesseiro com um sorriso no rosto, e pensar em você, meu desconhecido.
Passei do ponto de ouvir o telefone tocar e correr pra atender esperando ouvir seu convite pra sair.

Passei do ponto de fruta verde. Amadureci.

Percebi que não preciso entrar em colapso por que faz uma, duas, tantas semanas que não ouço meu coração tocar.

Pela primeira vez na vida, estou numa fase em que ME BASTO.

Num primeiro momento, me assustei com a displicência do Id e com a falta de entusiasmo do Ego com assuntos do coração.

Pensei: será que nunca mais ouvirei meu coração tocar? Desaprendi a arte da paquera? Não sei mais as artimanhas dos ‘joguinhos’ amorosos?

Até que descobri: eu não passei do ponto. Eu não esqueci de puxar a cordinha (pra quem nunca andou de ônibus, a gente puxa uma cordinha quando quer descer).

EU CRESCI.

Nesta nova fase não serei mais a escolhida. Vou me dar ao luxo de escolher porque tenho certeza de que o meu coração vai saber a hora certa de voltar a bater como ele batia a cada semana por um amor diferente. E como era emocionante.

Nesta nova fase, quero sim taquicardia, quero aquelas emoções de correr para te encontrar, quero encher você de surpresas, e sei que vai adorar. (rimou)
Mas agora de um jeito diferente, de mansinho você vai chegar, e ao abrir a porta, eu sei que ele vai voltar a tocar.

Mireille Almeida em campanha pela chegada da HORA CERTA. Sem pressa.

10 de julho de 2007

Aquele segundo...

Você já pensou que um segundo, um momento, uma atitude ao “acaso” pode ter mudado toda sua vida?
Começando quando você era um espermatozóide: se você tivesse ficado lá, de papo com outros deles ou parado para beber algo, você já era. Você nem seria você.
Ta, chega de bobagem. Estou aqui para falar um pouco do que sei sobre a Teoria do Caos.
Certa vez, fui convidada a assistir uma palestra sobre esta Teoria. Levantei cedo, desacreditada, esperando um programão de índio.

Para minha surpresa, tirando a parte da física, matemática e sistemas complexos do universo, me surpreendi.

Sabe aquele segundo logo pela manhã que você ficou se olhando no espelho? Que você levantou no susto por que se atrasou? Ou quando você corre para atravessar a rua antes que o carro te pegue?
O pneu furou? E o ônibus que você ficou p... por perder? (tá, eu sei que você não anda de ônibus)

Segundos, momentos que talvez tenham mudado TODA sua vida. Ou parte dela para não exagerar tanto.

Isso me lembra quando eu era adolescente e, por um segundo, talvez não estivesse escrevendo este blog aqui da Terra. Eu estava com um cisco no olho, passeando no centro e briguei com a minha mãe por um motivo qualquer (pra variar). Fui pra casa a pé, sozinha, com muita raiva e “caolha” tentando tirar aquele bendito cisco do olho.

Sem enxergar direito, estava andando na calçada, quando um carro em alta velocidade invade a calçada e entra no hall de um edifício, pelo qual eu havia passado um segundo atrás.

Assim que ele bateu, comecei a chorar tão alto, mas tão forte que as pessoas olhavam mais pra mim do que para o coitado. Fiquei tão desesperada em pensar que um segundo salvou a minha vida, que não consegui ajudar o rapaz, que bateu com a cabeça na buzina, que não parava de ‘buzinar’.

Enfim, desejei tanto que o cisco saísse que de tanto choro, saiu.

Foi algum segundo, muita proteção e um anjo poderoso que me fez ganhar este tempinho ‘insignificante’ que custou talvez, minha vida.

Mas o que eu quero registrar aqui é que, quando você ficar completamente possesso com o atraso do seu despertador, a chuva torrencial lá fora que atrasou sua vida, aquela fila do banco interminável, a outra fila para pagar a conta da loja, o tropeção que você levou no paralelepípedo, talvez fizeram parte daquele segundo que pode mudar sua vida.

Conhecer seu grande amor, virar a esquina e encontrar aquela pessoa que você adora, rever um grande amigo, um trabalho novo, podem estar a um segundo de você. Só não fique paranóico andando por aí, né?!

Estou muito profunda hoje. Você deve estar pensando que sou uma redatora louca. Mas pense nisso (não que eu sou louca, pense na Teoria).

E mais, tenha fé no seu anjo e agradeça por se atrasar só porque estava lendo este blog. OBRIGADA por cada segundo da sua audiência.

Sugestão de Filme para entender a Teoria do Caos: Corra, Lola, Corra.

Mireille Almeida em campanha por aquele segundo em que vou acertar as seis dezenas da Mega Sena.

9 de julho de 2007

Decidir dói...

Alguma vez você já sentiu seu anjinho bom e o anjinho mau brigando dentro de você?
Hoje estava conversando com um amigo, que traduziu o que está sentindo, exatamente como um duelo no interior da mente dele.
E percebi que muitas vezes na vida, sentimos a mesma coisa. Situações em que temos que deixar algo, ou por que não está nos fazendo o bem que deveria, ou por que está realmente nos fazendo um mal danado, ou simplesmente por que devemos seguir a trajetória da vida.

Como é difícil se desfazer do passado. Porque ele é conhecido nosso, está sempre ali, você já sabe como é e como será. Sem sustos, sem emoções, sem descobertas.

O sofrimento é parte integrante da vida. Sem ele, não conseguimos passar de fase, muito menos, vencer cada etapa. Mudar dói, mas tem muitas compensações se você está mudando para o lugar certo. Como saber se é o certo? Bem lá no fundo você sabe. E o tempo mostrará.

Por isso que os anjinhos brigam sempre. Por que devemos fazer escolhas para subir mais um degrau na vida.
Escolhas que deixam um pedaço de nós, que dói por dentro, que nos fazem chorar, lembrar. Mas não para sempre.

Renunciar de uma paixão por que ela está acabando conosco.
Sair de um trabalho estável para arriscar um novo projeto.
Dar adeus à mordomia da casa dos pais para ganhar a liberdade e nunca mais voltar. (só para ganhar uma sopinha num domingo chuvoso).

Escolhas podem causar arrependimento, claro que podem. Isso não é voltar para trás. Isto é verificar que, no meio do caminho, você quer voltar e levar consigo o que restou de bom e que havia ficado do outro lado.
Se arrependeu? Vai lá e tenta buscar.
Se não for possível, e se realmente o cara lá de cima está de acordo com você, espera e aguarda.

Tem uma frase que minha avó gostava muito. Esta frase é um lema muito forte em minha vida. Sempre que segui, me dei muito bem. E não precisei buscar nada:

"Deixe as pessoas que ama livres, se um dia voltarem é porque você as conquistou, se não voltarem é porque nunca as teve".

Mas se o coração diz uma coisa e a cabeça está quase concordando, não hesite: VAI LÁ E BUSCA.

Agora, se o coração e a cabeça brigam há muito tempo pelo mesmo motivo, pelo mesmo pensamento, aí passe para o outro lado e não olhe para trás. Por que o mundo que vem por aí, vai te trazer uma grande e boa surpresa. Siga em frente.

É desta forma que você poderá descobrir se fez a escolha certa, ou se deve voltar e buscar.


Não tente OUTRA vez. Não tente MAIS UMA vez, nem pela ÚLTIMA vez.
Se for buscar o passado, COMECE NOVAMENTE.


Mireille Almeida em campanha por novas histórias ou por histórias antigas reinventadas.