
Sem querer e você se tornou meu combustível. Mal se apresentou e já me fez sentir uma vontade insaciável. Você não pediu licença, e eu te deixei entrar. Gosto desse teu jeito invasor de chegar.
Você tem poder sobre mim, e sabe bem disso. Usa-o quando eu menos espero e quando eu mais preciso. Você suga minhas energias. E eu ainda faço tudo pra te saciar. Acordo pensando em ti, todos os dias. E só durmo bem se você está longe dos meus pensamentos.
Você não dá desculpas pra aparecer e, se desse, eu aceitaria todas. Você me ensinou a precisar de você como um bêbado precisa da sua cachaça. Você me viciou.
Queria estar farta de você. Mas cada vez te preciso mais. Quando você vai embora, por um momento, parece que nunca mais vou querer te ver. Nunca mais. É, mas isso passa. E bem rápido. Comercial de margarina, creme dental, padaria da esquina, tudo me lembra você.
Quem você pensa que é pra me invadir e não pedir licença? Pra me fazer lembrar de ti quando eu quero é esquecer? Agora estou sentindo você. Tá me dando um vazio sem tamanho. Você me deixa zonza, até me faz tremer. Que vontade de te esquecer. Não me procure mais.
Já que tudo acaba em pizza, chegou o momento de te matar dentro de mim antes que você me mate. E vai ser agora:
- Alô?
- Por favor, eu quero pedir uma pizza bem apimentada e com bordas especiais.
- Em vinte minutos estaremos enviando seu pedido. (gerúndio, tinha que ser)
Contagem regressiva. Você vai morrer. E, enfim, vou te matar dentro de mim, Fome.
Miréille Almeida sempre faminta.